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Oi, amigos
Estou determinado a me acostumar a conversar através deste blog/grupo. Assuntos relacionados a projetos e que possam ser compartilhados (lembrar que outros poderão ter acesso ao blog), cria uma área livre para trocarmos idéias, interagir, fazer junto! E é uma forma de mandar um oi rápido, então retornamos por telefone ou e-mail, sempre que for preciso. Obrigado,
José Paulo
josepaulo@cidadefutura.com.br
Escrito por Jose Paulo T às 11:51
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Acolhes o Menino, agora! *
Agora o Menino tem uma casa, com endereço, janelas pintadas, tem sala de espera e até corredor para jogar bolinha de gudi perto da cozinha.
O Menino, agora, tem uma casa que nem parece casa, mas uma escola; tem uma escola que nem parece escola, mas um parque. Uma casa escola e uma escola parque. Melhor, uma escola dentro de um parque e um parque no coração de uma cidade. Uma cidade...
É que o parque é do Menino que, na horinha, viu ouvir a voz do coração que esvaziou-se de si e fez jardins de flores e de árvores do parque que agora é sopro de vida. Vida do Menino que viu e do outro que não vê ou não se vê; do menino que ouve e do amiguinho que não pode ou não quer ouvir - se é que há algum que tenha esse querer - como bem o sabem os moradores da mesma cidade que um dia também acolheu e abraçou tantos outros estranhos iguais que lá aportaram.
E a banda tocou bonito no jardim da porta da frente; e o hino do Brasil ecoou no espaço cívico improvisado; e o encantador de passarinhos parecia ter combinado as dobras com o violino Vivaldo, de cujos acordes tocou o coração de convidados eminentes.
Afinal não é sempre que se inaugura uma casa escola parque dentro da cidade acolhedora, a cidade do Menino que é história de quem sabe ou deseja recompor histórias e personagens que somente no futuro conhecerá dos nascidos aqui ou alhures.
Pois agora o Menino multiplicou irmãozinhos e a Menina seu parzinho selou de vez, e também a moça e o guri rapaz, o moleque de lá e os de cá, seus amigos de verdade e outros tantos imaginários, tão reais como jamais o foram; todos meninos vindos dos seus cercados, de suas casas e ruas, dos seus sonhos alados, podem, agora, jogar bola, brincar de aventurar-se, acessar-se, freqüentar-se, tocar os livros da biblioteca, conhecer outras línguas e linguagens, descobrir saberes e sabores novos e esses que trazemos de criança pela vida adulta e afora.
Enfim, pode o Menino agora apresentar-se mais solenemente.
Com a mesma simplicidade de sempre, sem arrogância que lhe é própria mas, com alguma magistralidade.
Nesta sua feitura de Menino que tem nome e sobrenome instituído, lastro de família, familiaridade com a língua, com a língua da bola e com as linguagens do mundo, seus códigos de acesso, de limites e de ultrapassagens. Algo novo e diferente aconteceu e mudou de vez a história do Menino, de sua casa morada, de seu parque cidade, toda sua natividade, toda sua futuridade.
Encontrou-se afinal com a cidade amiga, com as pessoas queridas do lugar e do não-lugar, e tão-logo o adotou como o mais novo morador, como vizinho da mesma rua e bairro.
Sabe o Menino que ao encontrar uma cidade assim, pode projetar-se e não mais estará sozinho, seguir na direção da vida futura, compor histórias de cantos, desafios e sonhos; pode até viajar para os lugares mais distantes, e quando voltar, saberá da sua casa-morada, prontinha, bonita e arrumada para lhe acolher de novo.
Não existem palavras para definir ou expressar, nem cores para pintar, e tons para repercutir, as paixões de alegria desenhar esse doce riso feliz de Menino criança, de artista-poeta - ou será para ti repórter de arte ou atleta que dança?
De todo modo, um Menino-leitor, desses que sabem do poder da palavra que se mantêm, do livro e da leitura que se cultiva, da amizade e da paz que se exercita, e o poder de vida que se lhe faz leitor incomum; desses que se tira o chapéu, que se faz referência, citação, desperta interesse, tese e atenção.
Agora o Menino tem sua casa, sua escola, seu parque primaverio, sua cidade acolhedora. O que mais lhe faltaria?
- Quem sabe um pouco dessa sua companhia? Talvez. Ou uma visita de vez em quando. Uma cartinha de lembranças. Uma muda de árvore nobre? Um livro para sua biblioteca incomum. Uma foto. Um gesto de fineza que lhe é própria, quanto gentileza!
Bem receberia nosso Menino assim, de surpresa, neste admirável jogo de vontades e de prazeres, de inadiáveis dias e anoiteceres, desses bons encontros de sempre, assim, como este nosso agora já feito, e que ficou na lembrança de modo especial àqueles que agora compreendem melhor o significado da palavra acolhimento.
É um bom começo. Um bom começo do que já era tudo de bom neste Menino gentificado pelo seu gesto de simples grandeza.
Acolhes o Menino agora que ele é teu!
* Para Mauro, dona Ida e seu Ângelo, com incontida alegria de tê-los junto com Márcia e Júlia e os amigos do 'Menino' que nasceu em 21 de setembro de 2007.
Por José Paulo Teixeira. texto de "Meninos a Caminho".
Escrito por Jose Paulo T às 11:45
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RrrrrrrrE PÓhhhhhhr TERrrrr ...É
Dobre e arraste o erre – Érrrre - de rede e redobre no Re de Re pórter; dobre a língua e a desdobre levemente no pe presente ao lado do pe ausente e o faça dançar com você, bem assim, peee com peee, ritmamente e... manda vê!
- O que é que dá ?
rrrrReppórtttttteer... ou Rorbeto
É bom de ver melhor ouvir! Ler, então..., por José Paulo T
Talvez um ‘ livro por vir’que fazia muita falta entre nós, brasileiros que vivem no aquém da USP mas, e que, para a felicidade geral da nação e minhas ‘trópicas alegrias’, em particular, veio e em breve estará nas mãos de quem pensa e ama o Brasil.
Talvez ‘esse libre’ seja mesmo um ‘santo remédio’ e prova ‘si – ni- qua- non’ de que, ao contrário do que se diz por ai, santo de casa faz milagre!.
Só que, neste caso, sendo este um santo brasileiro, dá uma gingada na santidade e faz milagre pelo lado avesso, quer dizer, não com o santo remédio “do senso midiático comum” mas – num barroco bem brasileiro – o santo vira veneno remédio e dá a liga sem matar o um, o dois e o três (componentes) embutidos na fórmula que Wisnik encontrou para pensar o ‘reppublicar’ do Brasil.
Quem sabe a partir desta obra, assim desdobrada antes mesmo de vermos todos os desdobramentos que ela possa gerar, possamos ter (ou dar) um pouco mais de crédito (portanto, debitar a dívida ativa histórica acumulada) aos céticos credores de um Brasil cujo maior risco não é- como se tenta dizer verdade inconteste - aquele medido pela linha do risco do mercado (financeiro.
Há um outro e muito mais importante risco Brasil que é o risco da própria autoridade (famosa ou infame, nos duplos sentidos dessas palavras rivais: o risco de perder a sua capacidade de prometer (Isto quando se tem ou se conquistou, pois não é o caso da maioria das autoridades nesta área promete [uica] – nosso ‘modo inca’ de ‘dar um jeitinho’ na promessa dada mas imediatamente quebrada.
Todo esse meu rococó feito por dedilhas, é para, primeiro, saudar o livro de José Miguel Wisnik, cujo título – VENENO REMÉDIO - retitrado da farmácia grega é um santo veneno remédio para nossa vã filosofia já que Reppublicar o Brasil (pensar o pensamento da política pelo público) juntando alguns clássicos do pensamento brasileiro com dois outros 'clássicos’: um, o nosso futebol – arte essa coisa (res) que brasileiro inventou e, daí minhas tropicas alegria nesta saudação à Wisnik por ter resgatado lá dos pré-socráticos seu desdobramento do Brasil a partir do futebol que, como ele mesmo diz na entrevista que deu a Folha hoje:
“A literatura, a música e o futebol são instâncias incontornáveis para entender o Brasil que não é para principiantes no dizer de Tom Jobim” (FSP, 17/0508).
Na mistura finíssima que somente uma sensibilidade a flor da pele de si e do mundo - aquilo que, nas ideologias das massas, serve-se como massa de manobra -, neste livro, o futebol – arte que, com Pelé ‘dos Santos’ – não o das mídias - virou ‘lenda viva sem logomarca’, constitui-se, ao lado da música e da literatura, não um síntese Brasil “pra inglês vê”, mas esse poema orquestração de paradigmas mil, que se recriam nas dobras e desdobras (diria, pelas ‘incontornáveis’ linhas do Fora) forjadas nas próprias diferenças, agora sim, paradigmáticas ou por outro modo de dizer, de novo - para saudar Wisnik/Rorbeto - idiorritmias de ritmos.
O leitor dever estar desconfiado desta minha dobradura étimo silábica mas quem conhece a história do Garoto Rorbeto, do Gabriel O Pensador, também sabe que, numa de suas mãos, tinha seis e não cinco dedos contados de uma vez e que, seu complicadíssimo plantel de dedilhares causou enormes problemas junto à turma que gozavam e riam daquele anacrônico defeito.
A gene®alidade de Rorbeto/Wisnik é, nesta complicada e difícil missão impossível de ‘explicar’ o Brasil – somente a gene®alidade – como a que temos/vemos no futebol- arte, na música-arte e na literatura-arte brasileiras – cuja ‘Bossa’ é apenas uma de nossas maiores apostas – Wisnik cita Pelé ao lado de Machado que, ao lado do mestre João Gilberto” formam – nas palavras de José Miguel “as três enigmáticas e quase inabordáveis figuras únicas” deste incontornável desafio para se conhecer e se traduzir no chamamos Brasil.
Mas como dizia – e de volta ponto que interessa – uma segunda e mais trópica saudação, é que todo esse dobramento de línguas e de linguagens, de composições tríades, gerativas – doublé de três, como gosto de dizer – todas essas ‘químicas’ agrupadas e coligantes (Como minha mais novinha personagem, a Bind, geminha do Bond, pela arte e a filosofia sem fazer fundi do pensamento, mesmo quando fundidos num pensamento novo.
Talvez seja pura coincidência essa nossa - eu aqui, no interior da Casamundo, um infame qualquer – que nem conhece o professor Wisnik que certamente nunca me viu nem ouviu nada do que sou ou faço, mas, por essas coisas de destinos flechados, ao ler sua entrevista vis-lum-brei e fui tomado de uma admiração e curiosidade incontidas, tal a força de sua lança lançada que o escritor-artista soube reunir neste seu ‘contra-veneno milacuroso’ (não milagroso) dessa sua/nossa trí-composição que na exatidão do momento estamos, traçando, ele lá, eu aqui, neste projeto que considero de domínio público, o projeto escolar de futebol (Bom de Bola) e que, por essas duas novas iniciativas (com o Bom de Ler (de literatura, poesia da filosofia para formar bons leitores) e o Reppórter (isso mesmo, com ‘pe’ dobrado, como das pernas tordas dançantes de um garrincha), que ora apresento pela palavra esticada neste “bom de ver melhor ouvir” .
Trilha desta trilogia bem brasileira, aqui estendida por dobras desdobradas em vidas – nosso caso, crianças e jovens – juntados em genes desejantes neste ‘ver’ e o ‘ouvir’, neste querer-viver de um modo que não seja a moda mas um estilo, um querer-artista, desejosos que estão para compor suas vidas em histórias outras, e cujo esforço de composição possam, cada uma delas e essa multidão de pequenos brasileiros, a contar no ‘Bom de Bola que é Bom de Ler’ - esse ver melhor ouvir - energético vital-vitalizador, como é a música, na sua universalidade, espécie de remédio ou contra-veneno ao cinismo midiático que domina a distancia e nos entope de ignorância pelo excesso vidiotada feitas ou trazidas em nome da cultura ou dos valores ‘supremos’ da ‘sociedade’ brasileira – a única sociedade sem socius que se conhece no mundo.
Mas, como meu nome não é Rorbeto, é José Paulo, deixo aqui, por estes dedos teclantes, o que brotou como repente, deste leitura instigante. Tudo que meu desejo possa, quem sabe um dia pegar o touro pelas unhas nos seus duplos – e invisíveis - complexos plexos de falta e ao mesmo tempo sobre - sob jogos de excesso e vergonha – descobrirmos juntos algum modo ou outro domar e dobrar a língua.
Escrito por Jose Paulo T às 11:06
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Cidade Futura: prosas e versos, por José Paulo T
A cidade é, sabemos, cheia de prosa, medida e dominada por discursos; mas o que mais precisa é de um pouco de poesia. A cidade ainda será apenas poema, um encanto na vida das gentes que às habita, como o foi para Vitor Hugo na sua cidade-poesia.
A futura, por outra parte, é pura poesia, espécie de ‘gen’ ou d.n.a. de utopia – mas quem diria? - o que mais a futura carece é de prosa e filosofia, não de versos ou poesia.
Nesta Vida, VIRAGEM! Poemas de passagem que faço quando brindo brincar com as palavras, ‘cidade’ e ‘futura’ são palavras tim-tim, brincantes, palavras gêmeas como sempre digo; mas elas têm vidas próprias: seus étimos são ritmos de distintas idiorritmias.
Pois são assim que as palavras, os conceitos e as noções, sejam as comuns sejam as incomuns. Não gosto de fundir as palavras e os conceitos porque, nesta fundição, elas perdem suas ‘musicalidades’, o arranjo – etimológico, filológico, lúdico e genealógico que cada palavra contém de genuíno, originalidade, singular.
Tem uma tendência academicista, culturalista ou ‘pós-modernista’que (que é aqui diferente do ‘pós-moderno’ no sentido de Bauman, que cunhou de modernidade líquida o que chamo de desdobramento do moderno) de juntar palavras e/ou áreas (de estudos, de conhecimentos ou pesquisas), como eu mesmo vi – venci - ei na ‘sociologia’ ‘política’, ou outras fundições da moda como educação e comunicação que vira educomunicação ou mídia educação; ‘ciência filosofia’, em epistemologia, etc., gerando em nossa língua-linguagem “erudita” um ‘hibridismo’ na base de uma mistura de agentes poluídos, toda uma química que altera os genes dos étimos e das disciplinas originais, de modo que a síntese corresponde, na maioria das vezes, a um monstrengo com ares ou caras multi-inter-pós-disciplinar, e que, sob a desculpa de derrubar paradigmas do passado, reproduz os mesmos em novos e sucessivos - e doutrinários – pares paradigmáticos, quando não, dogmáticos. Paradógmas - eis do que está embebida nossa vã academia...
Mas como dizia, a cidade, a futura não pode ser fundidas nem confundidas, apenas desdobradas.
Como não podemos fundir cultura e turismo num ‘culturismo’, essas coisas assim e tal que posam de pós-tudo e acima do bem e do mau, estes mesmos embutidos nestes “achados” perdidos na sucataria amassada do pós-modernismo erudito tra - vestido de pos-doutorismos.
Escrito por Jose Paulo T às 11:05
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Nem parece
José Paulo Teixeira, escritor.
0 # Antes
Nem parece o que parece
‘Coisa assim’ ou ‘coisa tal’
Um projeto ‘Bom de Ler’
Bem melhor saber por quê.
Meu repente é de agora
Vida adentro vida afora
Um bom livro de memória
Escrevo aqui a sua história.
1
Bom de Ler é bom de ver
De ouvir e de cantar
De gostar... de viver
Muito mais que conhecer.
Numa nave espacial
De cine mapá astral
Toda vida digital
Toca aqui meu coração.
2
Já não é opinião
Isto devo te dizer.
Uma plêiade de estrelas
Incontável pra você.
O Lobato é bom de ler
O Veríssimo de rever
Passa aqui o meu Drummond
O Machado é bom de ter.
3
Olha só um tal de Eça
Esse outro interessa
Veja só este autor
Quero ser o seu leitor
Esse aqui não ‘vi’ falar
Deve vir de algum lugar
Vou pedir pro professor
Para me apresentar.
4
Este aqui que é ‘o cara’
Minha nossa - que mulher!
Sua história deu Clarice
Que o mundo todo lê.
Da pra cá O Pensador
O Ventura, vou guardar
Para depois de descansar
Meu gibi vou terminar.
5
Esse outro Bom de ler
Harry Porter pra você
- Ô garoto Bom de ter
Prova que a juventude.
Toda cheia de razão
Gosta dessa aventura
Desde que desobrigada
De fazer como dever.
Escrito por Jose Paulo T às 12:37
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6
Bom de ler é ser artista
Da palavra, criador.
Bom de ler tiro ô chapéu
Isso sim é ser doutor
Uma música rima essa
Faço dela uma canção.
No silêncio da leitura
Quero a concentração
7
Tem história, tem poesia
Tem até filosofia
Minha é-ti-mo-lo-gia
Da palavra investida
De virtudes capitais
Sendo delas três demais:
Amizade e alegria
E a ad-mi-ra-ção.
8
Mas as tecno logias
Desmedidas de valor
Dos sentidos do viver
Deste ‘quis’ aparecer
Sobretudo nos jornais
Que só passa na matéria
Violência da miséria
Bate nossa juventude.
9
Bom de Ler é bom de bossa
Tradução da criação
Não é essa mixaria
Vista na televisão
E o lixo cibernético
Que moldura o ser patético
Um atraso pós-moderno
Desta nossa geração.
10
Na palavra investida
Outra arte aprender
Viver é filosofia
Essa trópica alegria.
Bom Deleuze é bom de Ler
Só um pouco complicado
Mas foi ele quem fez ver
Nietzsche fora do mercado
11
Tem um tal de Blanchot
Que aqui nem aportou
Só agora descoberto
Como é bom vê-lo por perto
Escritor bem brasileiro
Que vem de lá do estrangeiro
Aqui é desconhecido
Fora super-traduzido.
12
Assim como é o artista
Faz a terra perder vista
Mesmo Caetano é paulista
Guimarães o mais maneiro.
Destes trópicos de nortes
Que o mundo nunca viu
Sol céu sul-americano
Que é bom pra inglês ler.
13
Tribo toda estrangeira
Índia, negra neolatina
Toda gente brasileira
Europeia oriental.
Bom de ler tem ‘gen’ plural
Nada como um livro bom
Proxemia de abismos
Isso sim é bom de ver.
14
Cidade amiga da leitura
De contar ler escrever
Vou agora reportar
Fim da história começar.
Um projeto de futuro
Poesia da filosofia
Toda arte alegria
Deste novo acontecer.
15 # Depois.
Geração 2015
Vida viragem cultural
De analógico e digital
Escritos feitos de infinitos.
Só diversos desdobrados
Sempre um Antes, um Depois
Oito versos de mil notas
Oito prosas de mil beijos.
Escrito por Jose Paulo T às 12:35
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Oi, o blogGrupo Desdobra está em fase de testes. Logo teremos as conexões do e-grupo. Abraços
José Paulo
Escrito por Jose Paulo T às 09:24
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- Oi, amigos da Cidade Futura, do Zeppa e da Márcia
Estamos iniciando, neste 18 de maio, nosso Blog_Grupo. Convidamos Maria Célia e Romário, Amnéris e Tatiana, convidamos o Gabriel e o Zuenir Ventura, convidamos todos vocês que são nossos convidados para os Encontros de Maio - 26, 27 e 28 de maio, no cinema do CIC - para contribuir neste Blog_Grupo.
Queremos fazer do DESDOBRA um ponto de encontro na web, de modo que possamos trabalhar as distâncias, ainda que por breves e mas afetuosos encontros.
Este ainda não é a versão definitiva do Blog_Grupo. O DESDOBRA será oficialmente criado e lançado no dia 28 de maio, no encerramento dos Encontros.
Você também pode enviar artigos e resenhas, mandar notícias, fotos e videos (curtos) para postar no Blog_Grupo e/ou no portal da Cidade Futura, que também é novinho, e está EM CONSTRUÇÃO.
O contato provisório é: cidade.futura@uol.com.br; ou contato@cidadefutura.com.br.
Escrito por Jose Paulo T às 09:26
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Desdobra
Blog-grupo da Cidade Futura - 10 anos: Dar o que pensar em Atos! (por José Paulo T)
O grupo Desdobra se expressa por meio desde blog/grupo. Dobrar e desdobrar a língua e a linguagem, traduzir em Vida inteira o que é meio e metade, método e cultura, criar conceitos e valores - eis os motivos inspiradores do Desdobra.
O trabalho projetivo do desdobra, que atravessa os tempos e o país, se inscreve na duração da Vida, nos espaços afetivos, ainda que distantes; conecta lugares e não-lugares; sempre pelas dobras do pensamento, por atos e afetos - eis algumas balizas do caminho (que é curso, é rio, é água da fonte), do meio da metade e do inteiro, como autofilosofia de uma pedagogia em Atos - Acontecimentos: desdobramentos
A 'missão' do Grupo Desdobra é a do impossível: incitar mais pessoas e iniciar processos por atos, afetos e pensamentos, tendo como pano de fundo (ou seria palco) um dublo movimento que vai do presente ao passado e do futuro ao presente. Energia, utopia, atualizações. Conectos e desdobras, imanências e transcendências.
No plano (local) visível o Desdobra é como uma casa, um lugar de hospitalidade, início da ética e de todo movimento de construção civilizada (termo que vem de civil/pietás/cuidado com o bem público); no plano (universal) invisível, o foco do Desdobra é um que de desdobramentos, da Vida, das subjetivações, das coisas públicas e desafiadoras de nosso país ou do planeta. Isto feito nestes tempos dados, de ascensão da insignificância, de domínios a distância, de poderes a ceu aberto, de totalitarismos disfarçados em "humanidades".
Esse duplo movimento - de construção civilizada e desdobramento infinito vem acompanhado, palavra por palavra, número por número, imagem por imagem, de conceitos, valores e 'medidas' - um cuidado especial com as desmedidas, aquelas que, as vezes sem querer querendo, aplicamos pelos domínios de si e/ou dos outros, dos mundos e/ou dos signos.
O grande lance do Desdobra é escavar, da profundidade à superfície, por Atos e por Afetos - o azinho dobrado na logoutopia da Cidade Futura, por palavras e ações, por enunciados e agenciamentos, as próprias dobras do poder, do saber e das subjetivações que fazem dobrar o próprio grupo e seus sócius. Sócios da vida, do viver-junto, do fazer-junto, do pensar-junto. Desafios do Desdobra
Trata-se, portanto, de uma pesquisa sem fim – sem ponto de partida ou de chegada – mas uma pesquisa “tomada pelo meio” – o meio do Mundo!
Como um dossiê aberto, iniciado por outros e que, não terá conclusão pelos viventes que o utilizam. Desdobra é um processo de escavamento e afirmação, acompanhados por dobras de sociação (contratos/instituições/grupos) e da subjetivação (atos/individuações/potencias singulares) dos que se aventuram a dele participar.
Esta é, vale enfatizar, a única ‘regra’ ou ‘verbo’ do Desdobra: desejar afirmar a vida. Modo de participar do Desdobra. Você pode começar agora.
O Desdobra está lançado.
Desdobra Brasil!
Florianópolis, 03 de fevereiro de 2008.
Escrito por Jose Paulo T às 08:57
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Desdobras inspiradoras
Os primeiros ‘desdobramentos’ daqueles que exercem neste blog/grupo” o ‘ofício da palavra’ – falar ou morrer ! - já podem ser “investidos/vestidos/investigados” seja por algum método (todo método é isso, como encontrar saída do labirinto, resposta ao que se envereda) ou pelo valor cultural inerente aos artistas da palavra (cultura tomada no sentido grego, de paidéia, e, diferenciada de “educação” e, por sua vez, pensada no Desdobra como pedagogia dos Atos, com todas as implicações dessas escolhas conceituais, a cada investida/vestida/investigação de cada um ou mais participantes do blog/grupo.
São nossos próprios investimentos – e vestimentos - no exercício pleno do ofício de escrever (mas também, fotografar, filmar, documentar, registrar, e tudo mais a ver com os conteúdos, formas e Atos do ofício).
Como se trata de uma criação virtual, entendido virtual como uma atualização de futuros, de conectos e devires, portanto, geradas ou criadas num processo auto-instituição, é importante às pessoas saberem ‘do que se está tratando’ – o que é bem diferente do ‘saber com que se está falando’.
Temos ou somos todos intercessores de nós mesmos e de uma história que, no fundo, é a história de cada um (dos participantes), os criadores do Desdobra, num processo simultâneo de sociação e subjetivação.
Somos o que criamos, e o que geramos. Somos atos, somos afetos. Somos Vidas.
Por isso é importante cada participante – leitor, criador ou autor do Desdobra – procurar na sua própria participação os conceitos e valores que possam criar, vitalizar o valorar esta nossa iniciativa. O nome Desdobra tem uma inspiração literária, política filosófica deleusiana e, marcadamente, em Blanchot, Nietzsche e Foucault - e todo mundo do ‘pensamento do Fora’.
Pelas dobraduras destes filósofos-escritores – e de muitos outros artistas da palavra fazemos a interlocução da Diferença, contemplando outros filósofos-artistas, escritores e leitores da mesma estirpe Espinosana.
Se por um lado, numa “banda” da dobradiça, temos estes intercessores, na outra dobra, a curvatura da porta de entrada (ou de saída) passa por caras como Heráclito e Aristóteles, Castoriadis e H. Arendt, mas, e também, por autores feras como Barthes, Bauman, Senett – a lista é sem fim -, todos que fizeram do pensamento um desdobramento vital-vitalizador.
E aqui temos ou dispomos de uma brecha para fazer a Desdobra do pensamento brasileiro, com autores/criadores conceituais mais férteis ou interessantes da produção brasileira.
Aqui, pedirei ajuda aos meus amigos do Brasil já que, nos últimos 10 anos, perdi algumas das minhas ‘referências nacionais’.
Conservo alguns poucos “bichos raros”, mais o país anda realmente em baixa.
Quem sobrou da geração (uspiana ou modernista) ainda precisa mostrar serviço.
Fazer o balanço póstumo da linha marxista-estatista e terceiro-mundista para o qual o país foi ‘enveredado’. Desde que o processo de ‘descobrimento’ do Brasil o país gerou um ‘modelo’ de desenvolvimento marcado, nos últimos 30 anos, pelo regime militar ao lulo-petismo – ambos atravessados, de lado a lado, pelo campo social e democrático que liga ‘nossa’ ditadura e ‘nossa’ democracia por Sarney do “tudo pelo social” à FHC do “tudo pelo capital”.
Nesse arranjo social-produtivo a desdobra ditatorial-democrática ainda está por ser investigada. Esta talvez seja uma boa entrada e bandeiras aos que desejam se aventurar um pouco no Desdobramento do Brasil. Ciência, arte ou filosofia: a universidade também pode ser aqui desdobrada – e quem sabe – liberada do seu auto-aniquilamento. O Desdobra está criado. Participe!
Escrito por Jose Paulo T às 08:56
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Desdobra
O Desdobra surge para pensar o Brasil.
Escrito por Jose Paulo T às 06:57
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http://cidadefutura.com.br/cidadedoslivros/autor/josepaulo.htm
Escrito por Jose Paulo T às 16:55
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O elogio da ignorância (por José Paulo T)
(1)
Gosto da ignorância do futuro. Gosto da incerteza do futuro. Esse gosto que não genuíno nem originalmente meu – já o descobri também em Nietzsche, o encontrei em Blanchot e em Deleuze e outros meus intercessores – é outro modo de dizer este ‘certo gosto por desejar o impossível’. É impossível desejar gostar de ignorar o futuro. Os mais realistas chegam a questionar:
- Desejar o futuro? Para logo concluir: - impossível. O futuro não existe! Só existe o aqui e o agora. Mas, se alem de se por diante do futuro, alguém se declarar ter gosto de ignorar o futuro, isso é o fim do mundo!
Eis que reafirmo, desenvolvi este gosto de não apenas desejar um futuro mas sobretudo gostar da ignorância do futuro.
***
Reduzido a uma peça de ficção – como nos filmes, nas artes e na literatura - ou zoneado em termos políticos numa data ‘utopia’ (o lugar que não existe), o futuro ou tornou-se uma ideologia perversa e fascista (como no futurismo) ou a mais pura e inocente expressão/associação ao idealismo, como é próprio dos que vivem no mundo da lua, ou (ainda) em artigos de fé neste ‘viver de esperança’ sem desespero, neste viver de amanhãs sem futuros que, quando vierem, já não o serão. Amanhas prenhes do presenteismo perpétuo. É disso que fujo ao refugiar-me nas ignorâncias eleitas.
***
Eis perdermos nosso precioso tempo, o dom mais precioso da vida. O ‘precioso’ não é um anel (como no Sr. dos Anéis) nem ‘anel de cobras’ como o realismo vivo se mostra, por envenenadas e rastejantes investidas de belezas que dão medo (como vimos na ‘novela das 'Sete' pecados capitais’ ou na elogiada pela crítica Paraíso Tropical ) tal qual ‘o veneno’ – envenenamento visível na sua invisibilidade - percorre “delicadamente”, malandramente dócil e maliciosamente perversa, para logo se revelar por golpes e contra-golpes, a próxima vítima.
O precioso tempo que se engravida de ignorâncias para sobreviver aos ‘anéis invisíveis da serpente’ que se movimenta inofensiva antes do golpe fatal sem chance e, assim, revelar toda sua sordidez mortífera. O precioso é o tempo da sabedoria que sabe ignorar e duvidar de suas certezas, de suas capacidades e domínios diante das incertezas.
Longe de ficar triste nesta minha 'santa' ignorância, carrego e acalanto nela sua maior preciosidade, a alegria. O tempo de alegria que beira beatitude, só de imaginar poder contar com esse tempo, aumenta minha vontade de ignorar todos os desfechos, todos os futuros.
É como se ‘a jóia do Nilo’ fosse outra e não qualquer pedra por mais preciosa que seja ou já tenha sido valorada pelo homem, nestes e em todos os tempos.
A jóia a qual me apego - e quanto mais me apego mais a desejo dividir - é essa joie (alegria) que um certo príncipe, um príncipe de outra estirpe, tão ignorado quanto mais insurgiu-se contra ‘o reino da ignorância’ que, na forma de preconceitos e dogmas impendia até mesmo desejar a ignorância em nome do ‘conhecimento verdadeiro”, seja aqueles oriundos do logos, seja descido da transcendência, um príncipe de cujo principado é o único que reina na imanência do mundo, ali onde situo toda ignorância e toda a incerteza em seu estado de natureza nua.
Desejar amanhãs quando tudo conspira para o “a vida é agora”, é, portanto, parte desta mesma ignorância, desta mesma quimera, desta mesma incerteza. A vida é agora, aproveite! (deixemos por hora, neste ponto, qualquer preocupação com o futuro, e nos voltemos logo - estamos todos sem tempo - para o presente!).
Diante da ‘Religião do Consumo’ tornei-me um ateu deste ‘deus-mercado” (cuja materialização denomina-se (pasmem) “mercado de futuro”. Insurgi-me contra esse ‘deus’ que vive de palavras e de promessas, que transformou ‘investimento’ vital em ‘investimento’ capital e o próprio capital (= dívida) agora tornada capital (=lucro); um mercado que se nutre dessas palavras, já que estamos diante de deus que fala a nossa língua presente. Ele é a própria Língua e senhor absoluto de todas as linguagens do mundo; do mundo que promete, e a cada promessa, se faz substituto do homem que, por sua vez, perdera sua capacidade de prometer.
Por isso é capaz de tudo, mesmo de forçar a barra ou deslocar para outros usos, a alavanca do mundo – antes utilizada pelas criaturas que utilizam suas mãos e apoiavam-se sobre os próprios pés por uma simples explicação: tinham algum governo sobre suas próprias cabeças, mesmo em meio à tanta ignorância dos tempos que eram seus, então. O presente é, assim, feito de passados e de passares.
Foi assim desde quando os humanos deixaram de 'forçar' suas próprias capacidades para serem forçados por elas, nos objetos e técnicas que foram sendo criadas, primeiros para si, para suas vidas; mais tarde, contra si, para suas próprias subordinações e inações. É o que explica - não justifica - boa parte das desgraças de nossos tempos. Isto quer dizer que tivemos ou fizemos, em algum tempo-espaço uma ou mais travessias de tempos, até onde nos situamos hoje, e, assim pudemos ‘forçar’ de tal modo o 'mundo da Vida' contra a própria existência - antes de darmos ‘o golpe fatal’.
Escrito por Jose Paulo T às 16:47
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(2)
E assim se fez antes de lançá-la ao limite da consumação final, no momento que decreta ‘o fim da história’; apocalíptical, quando ameaça com ‘o fim do mundo’; total pelo fim da promessa ao jogar a humanidade no abismo que escavou. Tudo, porém, na orgia do presenteísmo perpétuo – esse culto do materialismo radical que desfez todos os laços, à direita e à esquerda, num perpétuo jogo de poder de ir sem retornar, do centro à periferia do mundo para que todos estejamos sempre diante do fim que se anuncia sem nunca parar de anunciar, até o aqui e agora que separa o desejo do desejado. Viver o aqui e agora é o que realmente interessa. Sua implicação imediata já está dada: o futuro morreu quando esta separação se desfez.
***
Gostar ou mesmo desejar uma ignorância do futuro é pensar por Desvio, é sair do campo e cruzar a linha do Fora.
Não apenas fora do lugar (da casinha, do território, da propriedade, do mundo), mas fora do tempo. Viver ou estar fora do tempo é desencaminhar-se, é seguir sem rumo, é ir e voltar sob o influxo da incerteza; e o que é pior, da incerteza premeditada, desejada.
Deste crime fui cometido muitas vezes e sofro demais demais em suas incertezas, de um não-saber premeditado do ignorar sobre qual amanhã viveremos. Sigo rumo a este desconhecido já sabendo que não haverá termo, nem fim, nem lugar outro que não este (entre) posto. Estou ciente de que, fora do tempo, tornei-me fora de mim, do ser - deste ser e deste mundo; deste ser a-pessoado e deste mundo re-velado entre outras palavras-signos da própria e suprema ignorância pelas quais sou nutrido todas as minhas horas e dias.
Desvio perpétuo esta minha insuspeita ignorância de todas as certezas, de todos os sentidos, de todos os desfechos, de todas as finalizações e acabamentos. Decretei dentro desta minha ignorância, o fim dos The End deste presenteísmo perpétuo, desta força cuja chama é a própria consumação.
***
Quis o homem desejar um dia tornar-se um deus ou semi-deus. Ou, nos tempos modernos, tornar-se um super-homem. Desejou esse homem desses mundos “apoderar-se do “futuro por vir” com o intuito nada secreto de assenhorar-se do mundo, submeter (a seus domínios) todos os seus ocupantes e todas as suas criações, todas as medidas, todas as intenções, todas as finalizações. Daí porque excita-se tanto diante dos fins que nunca recomeçam.
São fins logos descartados ou jogados no lixo da história. São passados na forma de 'esquecimento ressentido que replicam (e ressoa, gravita ou flutua nas órbitas do Presente), este sim, o que importa. Homem-mundo que sobrevive destas finalizações para, afinal e no final, depois de dar o fim a sua própria realização, inicia-se numa nova empreitada rumo a destruição seguinte, e a outra, e outras mais que já o espera ali adiante. Nesta busca frenética – da corrida da vida – só con-corre com a velocidade dos tempos fatalizam. Para resistir, cumpre-se, assim, o papel antes reservados aos deuses.
Escrito por Jose Paulo T às 16:47
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(3)
Mais eis que esse ‘deus’ dos tempos heróicos também findou-se; mas não ‘o desejo do super-homem’ mundano (que é diferente do super-homem neatzscheano, tanto mais super-homem quanto mais gosta da ignorância do futuro, tanto mais gosta da ignorância da incerteza). Aquele que ‘tudo pode’, aquele que ‘tudo sabe’, aquele que ‘tudo deseja’ - é esse que, nos dias atuais, posa de ‘superdotado’ de todos os poderes e recursos das técnicas, estas usadas para possibilitar a velocidade também sob seu controle. Não mais apenas para ‘prever para prover’ (o futuro) da sociedade, mas para ‘antecipar-se ao futuro’, superando toda distancia e não mais ser matizado pela distancia entre o desejo e o desejado. O que se busca é o fim do próprio desejo, pois, tanto mais perigoso o desejo quanto mais se sabe que somente ele não pode ser controlado.
Por isso fez o super-homem mundano dessa antecipação sua religião (re-ligare) e dela busca suprimir todos os seus medos e freios, todas as suas ignorâncias e incertezas seja quanto ao destino do mundo, seja quanto ao destino do ser.
Não nego que tenho medo, sinto arrepios, só de ouvir sobre suas existências e, de outros, a apologia desses afortunados super-homens e mulheres bem-resolvidas diante todos os seus domínios.
Inversão absoluta dos tempos. Antes, dominados que era nossa civilização pelo medos da ignorância agora passou a ser dominante e dominadora de nossas terríveis certezas. Sinto medo desses domínios todos, desses absolutos todos, destas certezas sobre as quais tudo fica “sob controle”.
E vejo como esta “certeza do futuro” que nada desconhece ou possamos fazer, poderia mesmo ser acolhido como ‘sinal de inteligência’ pelo menos num país onde, desde pequenos brasileiros ouvimos dizer que somos (éramos) ‘um país de futuro’. Esse futuro, melhor dizer, essa promessa de futuro, bem o sabemos, sempre foi quebrada, secularmente. Não décadas nem anos, apenas: séculos de promessas não cumpridas, sonhos interrompidos por pesadelos movediços; oportunidades perdidas nas palmas da mãos, desejadas, loucamente nutridas e postas, porém, sempre adiadas, proteladas ‘para um futuro que nunca chega’, para depois de amanhã ou a próxima geração.
Até entendo os estertores, os detonadores e escarnecedores de futuros – inclusive este meu desejado gosto de ignorar – e que, na sua ignorância considero tão vital como a própria vida e a cidade futura. Não posso negar que os entendo. Mas não caminho ao seu lado e prefiro este Desvio do caminho do meio - o caminho sem começo e sem fim.
Sei e todos sabem que as promessas variam (sopram) como ventos e somem na invisibilidade da memória, no vazio do conhecimento anterior acumulado, ou mesmo no tumulo do esquecimento até que venha a promessa seguinte, e outra, e mais outra, perpetuamente descumpridas.
De tantos adiantamentos - e temendo perder “o controle” da situação - eis que, nos últimos anos, especialmente com a revolução de terceira geração – da informática à internet, da nanotecnologia às infovias da matéria informada suspensa no ciberespaço – capturadas pelas mídias e pelo capital invisível dos que nos dominam à distancia – além por onde o imaterial circula e liquidifica o mundo e os seres cujas evoluções antes redondo, ficam planos, antes analógicos, tornam digitais, de alguma modo medidos, agora desmedidos, de modo que, a Grande Promessa torna-se a própria Muralha que se fecha no aqui e agora, não apenas desligando o presente do futuro mas atirá-lo para outras partes distantes do viver juntos, deste agora vivido “como se o viver não houvesse amanhãs”.
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Gosto de ignorar o futuro tanto quanto desejar a incerteza do futuro.
Mas não gosto da ignorância do mundo nem das gentes conformadas com este mundo de ignorancias herdadas e tão distintas. Podem parecer confusos esses desejos opostos, mas se assim afirmo, por oposição é para interromper essa aparente suposição. Pois, outro não é desejo aprender (aprender o que se ignora, é o desejo do mestre que só é mestre quando, de repente, aprende) e o desejo de dar o que pensar, sobre este aprender que, afinal, não se ensina, se aprende. Todo aprender começa com a ignorância do ser. Se busco conhecer algo, se tenho curiosidade por algo, se meu desejo de conhecer é mais forte que meu estado de ser, a ignorância se torna o mestrado da vida.
Assim foi ou aconteceu com todos os artistas, todos os poetas e inventores de futuros. Ninguém que já tenha criado algo não desejou e nutrio, primeiro, o gosto pela ignorância e pela incerteza em relação ao próprio ato de criação. A experiência da criação é a própria experiência do fora, do artista, dos criadores de futuros.
Assim se divide os homens do mundo, desde quando aqui nos deparamos com nossos futuros in-comuns: ultrapassar a linha do tempo. Antecipar-se ao repuxo do fim anunciado, anunciado de muitas formas, inclusive pela morte, o início do fim que começa já no seu nascimento, estando pois, todas as gentes, crentes ou não, neste entremeio da vida.
Mestrado que se processa por esta pedagogia do meio, sem início nem fim, que nutre e se nutre na própria ignorância que por sua vez, é o passaporte de toda criação, desde que tenhamos força de recusar ou ‘se achar’ senhores das nossas próprias certezas, tranqüilos em nossas próprias supremacias até mesmo quanto se está diante da ignorância do futuro.
Todos os bem-sabidos aí se revelam ou por presunção ou por escândalos; de uma ou outra forma mostram-se o quanto são fracos seus corpos e suas mentes miseráveis. Fazem parte da grande mostra da ignorância do mundo esta mesma que é também a ignorância do ser, tornando-se, neste sentido e contexto, parte de todos os meus gostos de ignorar o futuro – e os meus desgostos de me satisfazer apenas com os presentes herdados.
Escrito por Jose Paulo T às 16:46
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